18/02/2010 14:05:00 - SONHO DE UM TETO DECENTE

 

Passei este Carnaval na casa de minha avó em uma cidade no interior de Minas Gerais. Meus avós mudaram para lá quando eu tinha três anos de idade, isto é, há quase 30 anos. Naquele tempo, o imóvel ficava afastado do centro, próximo apenas à já deteriorada estação de trens de carga e de várias chácaras e pequenos sítios. Fui crescendo e acompanhando o desenvolvimento do município. Aos poucos, pequenas propriedades rurais começaram dar lugar a um número bem maior de casas, normalmente de filhos e netos, agora casados, que transformavam a lavoura em pequenos vilarejos. Com isso, o comércio também começou a aparecer, e com ele, igrejas, correios, bancos. Os sítios se tornaram loteamentos e novas casas brotam a cada retorno.


Enfim, hoje, quando vou descansar lá no interior de Minas, me vejo no meio de quase 100 mil habitantes. Este “pipocar” de casas que vi, me faz pensar e concluir que o eterno sonho da casa própria é muito mais fácil de conquistar no interior, com muito espaço e área para crescer do que em nossa apertada São Caetano do Sul. Às vésperas de se entregar o primeiro conjunto habitacional da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) em nossa cidade, percebe-se que o problema de déficit habitacional que enfrentamos é pequeno, mas difícil de resolver de forma definitiva.


Ao receber novas famílias, os apartamentos da CDHU no Bairro Prosperidade abrigarão muitos ex-moradores de cortiços, sem as mínimas condições de habitabilidade. Ponto positivo para um programa do governo estadual e que ao longo das últimas décadas proporcionou moradia digna para milhares de paulistas. Mas estes mesmos cortiços receberão em poucos dias novos moradores dispostos a pagar pouco e se submeterem a desconforto e doenças. E assim o círculo vicioso, como já sabemos, se reinicia e o déficit habitacional nunca cessará.


Um programa sério e responsável como o de erradicação de cortiços, promovido também pela CDHU, poderia eliminar definitivamente as indignas moradias, consideradas por muitos como sub-habitação. Reformá-las e entregá-las novamente em condições de abrigar seus moradores, com o mínimo de respeito e dignidade, me parece ser um dos caminhos para uma São Caetano realmente igual para todos.

Histórico

Natural de São Caetano do Sul, Fabio Palacio já demonstrava vocação política ainda na adolescência. Sempre engajado com as atividades da escola, apresentava perfil de um líder estudantil, mas ainda não imaginava entrar no meio político. Aos 17 anos, filiou-se no antigo Partido Liberal (PL), hoje chamado de Partido da República (PR), sigla da qual está há 14 anos por se identificar com a ideologia baseada no liberalismo econômico. O PR é resultado da fusão, realizada em 2006, do PL com o PRONA.

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